APÓLOGO
— Não acredito! E o que foi que ele disse?
— Ah, ele caminhou até onde eu tava, se virou pra mim e… Ele tava com aquela coceira, aquela coceira que dá na bunda, por conta do… Como é mesmo o nome daquilo?
— Furico?
— Não, o bichinho.
— Bichinho? O meu, eu chamo de furico.
— Não, o bichinho que motiva a coceira, cara. Aquele…
— Bichinho que dá coceira no furico… Pinto?
— Não, tem um nomezinho engraçado, assim… Óqui… óxi…
— Ah! É… Oxímoro!
— Não, se fosse oxímoro, a coceira não coçava. É parecido…
— Oxítona!
— Uf! A coceira é na oxítona, mas a palavra é proparoxítona.
— Oxiopia?
— Não, o olho do c… não enxerga tão bem assim.
— Oxidulado!
— Nesse caso, só se ele fosse um CDF, né? Além do mais, oxidulado é paroxítona. A coceira é oxi… oxi alguma coisa, rapaz… Bom, deixa pra lá, depois eu me lembro. O caso é que ele tava com esse oxi não sei das quantas aí e tava se coçando com um… Como é mesmo que chama o pau do japonês?
— Pequeno.
— O talher do japonês, aquele pauzinho de comer, mermão! É orra… orra…
— Meu!
— Muito engraçado.
— Orraio que o parta!
— Ha, ha, ha. Enfim, não lembro agora. Ele chegou se coçando com o pauzinho, veja você que nojeira. Do lado dele tava aquele irmão dele, lembra? Aquele… o… aquele que tem nome de general americano.
— Electric.
— O general herói da Segunda Guerra, cara, que era chamado de “Old Blood and Guts”. Aquele que tem até nome parecido com nome de ave…
— General Chicken!
— Não. Patton. Qual era mesmo o primeiro nome do general Patton?
— Você por acaso acha que eu batizei o general Patton?
— Pô, cara, é o mesmo prenome daquela escritora francesa…
— Simone.
— Não, a amante do compositor clássico… O que tem nome de bebida…
— Uiscóvski.
— Não, cara, Chopin. Ah, deixa, deixa pra lá. Chega! Não vou te contar mais nada!
— Tudo isso porque eu não tenho cultura?
— Tudo isso porque você não tem iniciativa! Eu faço de tudo e você nem liga!
— Faz de tudo? Como assim?
— Será que não percebeu que esse papo todo era só uma desculpa, que eu tava te dando bola?
— Por favor, volta aqui! Não faz isso!
— Já fiz, Mouse, já fiz! (sai)
— Volta! Só agora me dei conta! Dessa vez eu te aperto, Hiperlink!

junho 21st, 2007 às 4:08
Ainda estou rindo. E dorei o post anterior - vi que não estou sozinha.
junho 21st, 2007 às 11:08
Humor danado de bom é isso aí. Um abraço.
junho 21st, 2007 às 11:46
oh, sim! muito bom!
junho 21st, 2007 às 13:31
Estou rindo até agora,rsrsrs. Beijocas
junho 21st, 2007 às 15:17
Ah, as dificuldades do amor…
junho 21st, 2007 às 16:03
Sempre me coçei com um lápis especialmente reservado para este fim. Vou testar o pauzinho do japonês. Vivendo e aprendendo. Valeu, Marconi!
junho 21st, 2007 às 19:13
Bem, testar pauzinho de japonês não é comigo, mas qualquer dia esse negócio de viajar por textos da Web não vai ser uma paquera mal-sucedida; vai virar mais um pesadelo com tanta informação.
De todo modo, grande sacada. Grande texto.
junho 21st, 2007 às 20:56
Marconi, em off: já acabei de ler o Tumbu… muito bom! Ah… e este post, também!
Abração
junho 22nd, 2007 às 0:38
Muuuito bom! E o “oxi…”, apareceu. Diga para passar lá no ‘oxiurologista’, hehehehe
junho 22nd, 2007 às 2:31
Apólogo, s.m . conto alegórico, em que figuram, falando, animais e seres inanimados; ensinamento moral em forma de fábula (Do gr. apologos).
***
Seu Marconi, não entendi nada.
Um abraço.
junho 22nd, 2007 às 22:32
essa tá espectáculo mesmo!
abç
outubro 17th, 2008 às 10:50
Muito bom , estou rindo até agora. . .