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VIRGÍLIO: Bom dia, amigos, estamos falando diretamente do Circus Maximus, onde daqui a pouco ocorrerá o embate entre o time de César e o de Pompeu. Segundo nossa reportagem, a delegação de César já deixou a Gália Cisalpina, acaba de atravessar o Rubicão e vem se dirigindo a Roma. O repórter Suetônio parece que está com ele, o inquieto César. É isso, Suetônio?

SUETÔNIO: Isso mesmo, Virja, você está certo. Estamos aqui com ninguém menos que Caio Júlio. Ave, César!

CÉSAR: Ave? Calma lá, eu ainda nem sou ditador! Além do mais… Eca! Mas o que foi isso? Que nojo! Melou minha túnica toda!

SUETÔNIO: Uma ave, César. Eu avisei! Bom, talvez seja um bom augúrio. Consulte um copromante. Mas, mudando de assunto… Júlio, qual é a sua expectativa com relação ao confronto de logo mais?

CÉSAR: Olha, eu tô confiante nos rapazes. A guerra civil é uma sarcina de surpresas, mas nossa décima legião está bem armada e contamos com o apoio da torcida. Afinal, o nosso é um time popular, enquanto o adversário conta apenas com o apoio restrito da elite conservadora.

SUETÔNIO: Então você crê na vitória?

CÉSAR: Veja, nós fizemos um excelente campanha militar. Ninguém acreditou, por exemplo, quando eu disse que derrotaríamos a Gália e, no entanto, estamos na final.

SUETÔNIO: O time chega em boa forma física ou você acha que a temporada foi muito desgastante?

CÉSAR: Não, o calendário atrapalhou um pouco. Inclusive, acredito que para o próximo ano ele precisará ser mudado.

SUETÔNIO: Mais alguma palavra para nossos telespectadores?

CÉSAR: Quero dizer aos patrícios que nos assistem que, no que depender de nós, venceremos hoje e promoveremos uma anistia geral: nenhum oponente será punido com cartão amarelo ou vermelho. Enfim, se Júpiter quiser, chegaremos à primeira declinação. “Aleam jacta est.”

SUETÔNIO: Obrigado, Caio. Muito bem, Virgílio, vimos aí que Júlio está confiante e, mais importante, que como a maioria dos jogadores, a gramática não é seu forte, pois acaba de usar o acusativo no lugar do nominativo. E já que ele falou na torcida, ouça só o barulho que ela faz nas proximidades…

TORCIDA: (cantando em coro) Rá, rá, ru, ru! O Senado é nosso! Rá, rá, ru, ru! O Senado é nosso!

SUETÔNIO: Vamos tentar nos aproximar aqui de um popular. E então, meu plebeu, muito animado?

PLEBEU: É legião! E legião! É legião! Renato, eu te amo!

SUETÔNIO: Como você percebe, Virja, as pessoas mal conseguem falar de tanta emoção. Voltamos com você.

VIRGÍLIO: Obrigado, Suetônio. Bom, amigos, no que me diz respeito, gostaria de dizer que arriscar um resultado a essa altura do campeonato é como ficar entre Cila e Caríbdis. Preferiria o Inferno a estar nessa posição. Mas, vamos aos nossos comerciais e voltamos em instantes, diretamente do Senado, onde está Plutarco, com as últimas informações sobre o time de Pompeu. Até já.

(CONTINUA AMANHÃ)