COMPREI UMA BICICLETA ERGOMÉTRICA (CAPÍTULO 2)
Ao comprar a bicicleta, pensava que estaria me livrando do principal problema que vinha afetando a minha saúde nas últimas semanas: as reiteradas e infindáveis reclamações da minha mulher.
E, sendo mais inocente que a religiosa de Diderot, imaginava que a dificuldade, no que tangia à bicicleta ergométrica, se resumiria a enfrentar as pedaladas diárias. Eis que tenho tanta aptidão para o esforço físico quanto um concretista para escrever poemas.
Em todo o caso, achava que me desincumbiria da tarefa com relativa facilidade. Afinal, sou brasileiro há 32 anos. E, como todos sabem, a bicicleta ergométrica é igual ao Estado nacional: muito cara, não sai do canto e serve apenas para cansar o usuário. Já estava, portanto, habituado.
No entanto, logo percebi o meu engano e me dei conta de que, se as pessoas chegam a perder calorias no trato com este infernal aparelho - que, a exemplo de um discurso do FHC, não leva a lugar algum -, isso se deve única e exclusivamente ao fato de que ele vem desmontado.
- Ué? E cadê os montadores? – falei, olhando para a caixa fechada que os entregadores, com um sorriso sarcástico e após fitar minha barriga, deixaram na sala.
- Pelo preço que a gente pagou, tu ainda queria que eles montassem? – retrucou minha mulher, algo impaciente.
- Pelo preço que a gente pagou, o mínimo que eu esperava era que eles montassem e pedalassem as primeiras trinta horas. Então, cadê o botão?
- Que botão?
- O que a gente aperta e a bicicleta se automonta.
Sem dizer absolutamente nada, ela pôs uma cara tão simpática quanto a de um samurai com prisão de ventre e me apontou a caixa de ferramentas. Demorei a entender o que estava insinuando, por três razões:
Primeiro, porque, como comprova a ciência, o álcool destrói nossa capacidade de raciocínio. Segundo, porque o manuseio de ferramentas é algo tão simples para mim como a leitura de “Ulysses” em tradução alemã. E terceiro, porque… Bom, terceiro, não me lembro, afinal o álcool também acaba com a memória e a concentração.

abril 23rd, 2007 às 10:12
Marconi, primeiro do que tudo agradeço o teu generoso comentário em http://urarianoms.blog.uol.com.br/
Segundo, repetir agora o que afirmei lá em resposta a teu comentário: bom humor, inteligente, recebe quem te visita aqui. Abração.
abril 23rd, 2007 às 11:12
oi Marconi,
você tem toda a razão: precisamos a aprender a votar em quem tem metas, e ações.
quero ver o fim dessa bicicleta ergométrica. Tô fazendo terapia lendo o teu blógue pelas manhãs, e de graça. u-hu
beijos.
Anita
abril 23rd, 2007 às 11:44
Meu amigo, eu já tive ergométrica, aquele tal de “step” (que tentei usar no carro quando o pneu furou mas não adiantou…), bicicleta de verdade (tão de verdade que custou 700 paus e ficou pra irmã…) e ACM (queria ver os tios pelados no chuveiro - água gelada da piscina digamos “diminuiu” minha alegria). Agora, vou tentar fazer as coisas no chão, mesmo. Pelo menos se não me exercitar, eu durmo.
Juízo passou lá em casa e eu soltei os cachorros em cima dele.
abril 23rd, 2007 às 12:04
nada contra os concretistas, mas adorei a comparação de aptidão!
hauhauhauhuahauha
abril 23rd, 2007 às 12:41
Caro Marconi, obrigado pelas visitas. Seu blog também está muito bom. Grande abraço.
abril 23rd, 2007 às 12:47
Querido, vou aguardar o resto. Beijocas
abril 23rd, 2007 às 15:32
Ai, ai, ai…
Mais uma história sem fim.
abril 23rd, 2007 às 16:40
Ui, ui, ui…
Só vou comentar no final: tenho Q.I (que ir). Inté. Beijos.
abril 23rd, 2007 às 16:47
Meu caro, bicicleta ergométrica e cabide, pra mim, são sinônimos: só servem pra pendurar roupa.
abril 23rd, 2007 às 18:40
Marconi, depois dos seus relatos, agora compreendi aquela fundamental questão metafísica: “Não sei se caso ou se compro uma bicicleta”.
abril 23rd, 2007 às 21:46
aproveite e faça uma adaptação para motor à álcool nela( a bici, não sua mulher que obviamente já deve ter uma adaptação).
abç
abril 23rd, 2007 às 22:00
Voce me diverte, e muito!!!
abril 23rd, 2007 às 22:50
Sim, o amor já foi mais fácil, não tanto quanto andar de bicicleta, mas igualmente inesquecível.
Apareça sempre.
Ophélia
abril 23rd, 2007 às 23:45
Pelo andar da carruagem é bem provável que em breve você escreva uma nova série (ou então um post único): VENDI UMA BICICLETA ERGOMÉTRICA.
abril 23rd, 2007 às 23:52
Ia comentar, mas… esqueci… ic, ic…
Rs
Abraços
abril 24th, 2007 às 0:59
Oi Marconi!
Ganhei a noite… adore seus textos. Vou esperar o final, tá?
beijos querido,
abril 24th, 2007 às 3:19
Depois da montagem com sucesso absoluto garanto que vai dormir a semana todinha pra relaxar,rss. Aguardo o resto sentadinha aqui, beijossssssss
abril 24th, 2007 às 4:21
Sabe o que e pior?..e ver essa coisa todo dia na sala da gente..onde eu jogo isso mesmo????
abril 24th, 2007 às 14:51
Rá! Rá! Rá!…
Fico só imaginando como essa história vai acabar… Vir aqui é certeza de que vou passar o resto do dia rindo sozinho, imaginando as situações que você descreve.
Boa semana. Carpe Diem. Aproveite o dia e a vida.
abril 25th, 2007 às 21:40
Ahahahaha… solicitamos a compra de uma aqui pro trabalho, pra uma ‘abordagem terapêutica’ com os pacientes e qdo chegou aquela caixa toda compacta eu tb fiquei me perguntando… quem é que vai montar essa porra???!!!
abril 26th, 2007 às 1:45
Só agora dei-me conta: energúmeno é? Tá legal, tá legal. Ia manter em segredo a história do Ananias - agora vou divulgar (lá no Reação, onde é improvável que me alcance um processo por calúnia, injúria, difamação e danos morais).
Aguardai e tremei, Marconi Leal. O que é teu tá guardado (o Ananias que o diga).
abril 26th, 2007 às 18:08
Você poderia seguir o conselho de Çilva, o çábio çóbrio, pois ele disse que o “etanol deminuirá a caloria do planeta”.
Você lê tanto, tem talento e não consegue fazer piada com tanto impacto quanto nosso apedeuta-mor.
abril 27th, 2007 às 2:25
Nossa, você me faz rir, seja qual for meu estado de espírito,hehe…Por isso adoro passar aqui, mesmo que atrasada…Adorei a cara da tua esposa ao ti mandar a caixa de ferramentas!!!!Um beijo vou lá ler a 3ª parte!!!
abril 28th, 2007 às 17:42
kuaaaaaaaaaa! véio, isso tá cada vez melhor…. só que ando meio preocupada contigo: primeiro tu fez regime, depois parou de fumar… e agora tu compra essa geringonça ergométrica… tsc, tsc, tsc, assim tu vai acabar te matando,ô vivente! hejehehehe
Sorte e saúde pra todos - sobretudo pra sua simpática esposa e seu eficiente rolo de massa!