NOVELAS
Aqui, mais um capítulo de Suruba, a novela em que já passaram duas vezes a mão na bunda de Milton Ribeiro e ele até agora não comeu ninguém.
E aqui, outro folhetim: o da leve e amistosa disputa entre Nicomar Lael e Tom Carneiro. Eis um exemplo do tipo de amenidades e trocas de afagos que andam rolando por lá:
Modernidade, pós-modernidade, contemporaneidade, solércia ou estultice. Qualquer que seja o termo purulento empregado para descrever esta época em que o horrendo ousa se declarar belo; inteligente, o perdulariamente estúpido; e descomplicado, o inábil e mal-acabado, é ela a principal responsável por sermos obrigados a sofrer a sem-cerimônia e o despudor com que um Sr. Carneiro qualquer, rematado palúrdio, se vê autorizado a imprecar contra termos que, em civilizações medianamente instruídas, deveriam ser de conhecimento, ao menos, do mais obtuso aristocrata.
Ah, espetáculo teratológico! Mais algumas décadas e, não duvido, finalmente regressaremos ao uso de flechas, desabilitaremos o aparelho fonador e aplicaremos o cérebro somente em tarefas cardinais, como as de servir de isca de pesca ou de enfeite para jardins.

setembro 12th, 2008 às 14:03
vou incluir a sopa de tamancos em meu blogroll.
Marconi Leal Reply:
setembro 16th, 2008 at 0:16
Tudo bem, estamos cobrando barato.
setembro 12th, 2008 às 14:05
ô inguinorança. não aprendi a lição com a escaramuça ‘meu óculos’ vs ‘meuS óculos’ e cometi um sopa de tamancoS assim, no plural. a casa caiu, a casa caiu…
Marconi Leal Reply:
setembro 16th, 2008 at 0:15
A casa caíram, Serba, olha a concordância.
setembro 13th, 2008 às 7:22
Caríssimo Marconi,
percebo claramente que a briga é boa. Raramente, na Internet, consigo me alimentar com o nosso bom, querido e quase esquecido português. O sr Nicomar é um grande escritor-arquiólogo de nosso idioma. O sr Carneiro também: grande escritor e polemista. Eu, aqui do outro lado da telinha, estou embevecido, a conjugar um belo verbo: aprender!
Noto, também, que os debatedores são brilhantes cães de raça. Desta maneira, gostaria de apaziguar tal porfia; pois sinto que, lá no fundo, no fundo, os dois são cachorrinhos amigos. Então, eis a minha contribuição ao final da luta: ISCA! ISCA! ISCA!
Marconi Leal Reply:
setembro 16th, 2008 at 0:18
Ramiro, não se engane: o Sr. Nicomar Lael é uma anta tão rematada que se você gritar “isca, isca” é capaz de ele ir procurar uma minhoca.
setembro 13th, 2008 às 7:42
melhor dizendo: “escritor-arqueólogo”!!
Marconi Leal Reply:
setembro 16th, 2008 at 0:26
“Escritor-arquiólogo” não estava tão errado, Ramiro, já que a raiz grega é a mesma de “arcaico”. Este, por sua vez, como se sabe, é o estágio que as coisas atingem antes de virarem Elza Soares.
setembro 13th, 2008 às 9:23
Caro Nicomar,
digo, Marconi, deixo um recente poema…
SOBERBA
by Ramiro Conceição
A soberba é uma senhora
pequena que se julga alta.
Feia, imagina-se bela.
Ignorante, matuta que é culta.
Grosseira, idealiza-se meiga.
Gorda, inventa que é magra.
É, no fundo, no fundo,
a soberba é muito engraçada!
Marconi Leal Reply:
setembro 16th, 2008 at 0:33
Legal, Ramiro. Não sabia que você fazia poemas em homenagem a Zulaiê Cobra.
setembro 13th, 2008 às 18:50
Marconi, só você - o Sebão, eu e o Mundo- conhece o poema…
PECADOS CAPITAIS
by Ramiro Conceição
I: A SOBERBA
A soberba é uma senhora
pequena que se julga alta.
Feia, imagina-se bela.
Ignorante, matuta que é culta.
Grosseira, idealiza-se meiga.
Gorda, inventa que é magra.
É, no fundo, no fundo,
a soberba é muito engraçada!
II: A GULA
by Ramiro Conceição
A gula é um imenso vazio…
Um cargueiro que não é navio.
Uma fome que não tem nome.
Uma colher que vira planeta.
Uma leitura sem a literatura.
Um excesso estremo do nada.
Uma boca a devorar o Mundo
a defecar… o próprio cérebro!
III. A INVEJA
by Ramiro Conceição
A inveja é o olhar,
o ouvir, o perfume,
o gosto e o tocar do outro:
a inveja inveja a inveja do outro!
IV. A PREGUIÇA
by Ramiro Conceição
A preguiça
é lesma metafísica:
um pintor sem cor,
filósofo sem cabeça,
poeta sem palavra,
amor sem qualquer dor,
uma verdade sem dúvida,
um mar sem qualquer água,
um universo sem estrelas…
Ah… deixa pra lá!
V. A AVAREZA
by Ramiro Conceição
A avareza é uma folha seca
que não quer sair da árvore:
Ideologicamente, retém tudo!
Primavera,
Verão,
Outono
e Inverno…
Contudo,
é um buraco-negro
- de ninguém!
VI. A IRA
by Ramiro Conceição
Ira é a transformação
de Marx - em Stalin;
de Jesus - em negócios!
VII. A LUXURIA
by Ramiro Conceição
Luxuria é o prazerescondido
das punhetas do Papa Bento XVI,
entre as paredes do Vaticano!
Marconi Leal Reply:
setembro 16th, 2008 at 0:35
Putz, Ramiro, o poema acabou comigo. Depois de lê-lo, minha mulher só me chama agora de Lesma Metafísica.
setembro 13th, 2008 às 18:55
onde lê-se prazerescondido, leia-se “prazer escondido”.
Marconi Leal Reply:
setembro 16th, 2008 at 0:44
Claro. Um prazer precisa de espaço se quiser se esconder.