SONHO
— Bom, e aqui desse lado… Podem se aproximarem-se, por favor. Aqui desse lado, a gente temos uma madeira-melada-com-tinta de Leonardo Davíncio, que nasceu no século V antes de Ivete Sangalo. O nome dessa tauba se chama Mona Lisa, um exemplo do que nossos ancestral fazia em sua tentativa primitiva de expressão artística. É uma espécie de quadro, só que com figura. E uma forma bastante… uma for… um… O cavaleiro pode me dizer do que é que tá rindo?
— Desculpe, não queria atrapalhar, mas é que eu tô naquela fase do sono em que o sujeito tá perto de acordar, continua sonhando, mas consciente de que tá sonhando, sabe como é? E quando eu vi meu reflexo aqui no vidro com essa bengala, esse aparelho auditivo e tal, no meio de outros velhinhos, enfim, não pude me conter. Ih, ih, ih, mas é daqueles sonhos realistas ao extremo! Parece que tenho duzentos e quinze anos!
— Se o cavaleiro tem duzentos e quinze, vou ter que pedir que se retire-se, porque a promoção do museu é pros maior de trezentos ano. Eita, já vi que hoje é meu dia! Bem, retomando: aqui, nós tem essa engenhoca feita de um material chamado papel. Olha aqui, nós abre essa coisinha aqui e vê uns símbolo esquisito aqui. Os pesquisador não têm ainda certeza da utilidade dele, porque não restou muitos. Essa amostra é chamada de Alighieri 357, esse aqui é o William de Stratford-Avon 136.
— Fantástico!
— Eu mereço… Que é que o senhor disse?
— Não, nada, quer dizer, esse sonho… Gostei da ironia: o museu de história natural em uma sociedade do futuro, os valores da cultura clássica substituídos definitivamente pelos da cultura de massa, o exagero das conseqüências da pós-modernidade e os homens vivendo séculos a fio, ainda que mediocremente, por conta do avanço das ciências. A idéia me… Bom, inútil explicar pra você, que é apenas uma manifestação da minha psique. E uma manifestação ridícula, diga-se de passagem: de onde será que veio esse seu rosto, meu Deus! Ih, ih. A barba é de Moraes, sem dúvida, a gente percebe pelo Wellaton. A calva, de Branco Leone. Coitado… O nariz, claro, de Milton Ribeiro. O rabo-de-cavalo patético… Franciel! Ih, ih, ih. Misturei em um, características dos quatro. Vou dizer, sorte sua que você não existe…
— O senhor quer que eu chame os segurança?
— Não, por favor, prossiga. Só tava aqui impressionado, porque esse sonho parece demostrar que a sátira faz parte da constituição mesma do meu cérebro, se é que eu tenho um. Entende? É uma forma intrínseca de expressão. E isso é genial, porque… Não, não. Esqueça. Não vou cair nessa. É mais uma idéia daquelas que em sonho a gente acha brilhante e, quando acorda, vê que é uma porcaria. Não tome isso como um insulto, mas raciocínio lógico não é o forte do inconsciente. Aliás, o que me leva a crer que, no colégio, fazia dormindo as provas de matemática. Taí uma boa idéia pros Subpensamentos. Alguém tem uma canet…
— Dá licença? Obrigado. Onde é que eu tava? Sim, aqui é uma peça em que os som articulado segue uma escala predeterminada. Eles chamava isso de música. Claro, não se trata-se de uma composição extraordinária, um clássico de nosso tempo, como o sucesso Poc Pum Pei Tlic Tlic. Isso foi muito antes do Venerável Brown ter vindo ao mundo, é uma peça anônima, atribuída a um compositor surdo, que dedicou seu trabalho à avó: chama-se Nona. O senhor tá me vaiando?
— Tô. Olha, se me permite uma avaliação do seu trabalho… E não adianta vocês, velhinhos, ficarem me olhando com cara feia, porque eu tô falando pra vocês também. Gostei da crítica à música dodecafônica, à ascendência do ritmo sobre a melodia e tudo. Mas esse trocadilho com a Nona, meu Deus, nem dormindo eu assinaria isso. E outra: o aviso de “Proibido fazer humor” ali na parede ficou muito óbvio. Não serve pra uma crônica que pretendesse falar da ausência de ironia como fenômeno de nossa época. Se tivesse desperto, em vez disso colocaria, por exemplo, uma placa com setas, tipo as de trânsito, e os dizeres: “Id a 500 metros”, “Sinapse obrigatória à esquerda” ou “Bem-vindo ao Lobo Frontal”. Humor basicão mesmo. Ih, olha aí, mais um defeito dos sonhos: falei em inconsciente e tô vendo agora que o busto de Freud tá aqui, numa redoma de vidro, estirando língua pro busto de Jung. A gente pensa, a coisa se materializa. É muito primário. Não é à toa que vocês tão na Segunda Divisão do espírito.
— Ah, finalmente! Ainda bem que a senhora apareceu. Será que pode levar seu marido daqui, mais uma vez?
— Ué? Cuca? Pronto, outro exemplo do que vinha dizendo: minha mulher surge do nada, velhinha como eu, assim, sem ninguém esperar e…
— Shhh. Vem, querido. Vem. Vamo pra casa. Você precisa dormir um pouco. E amanhã a gente vamos no médico. Tadinho… Há um século e meio, pelo menos, tem todo dia essa mesma vigília.

outubro 10th, 2008 às 13:19
Além de me copiar o Koleston transformado em Wellaton, além de me copiar um dos disparates — que são, casualmente de um sujeito chamado Goya –, além de roubar crônicas do Fausto Cunha, além de tentar roubar a posição do Inter a cada semana, além de atacar pessoas ínclitas como o Branco, além de ridicularizar o time altamente ridicularizável do Franciel, além de me fazer rir toda hora que venho aqui ou que vais lá, além de criticar teus comentaristas a nível de, tipo assim, ainda vens tirar sarro da minha cara?
Ora, que Deus nosso Senhor te dê uma noite com a Sarah Palin num iglu do Alaska, com a Patrícia de guarda!
Marconi Leal Reply:
outubro 11th, 2008 at 1:25
Milton Ribeiro, a Sarah Palin não faria sexo comigo, porque ela tem preconceito contra mexicanos como nós, brasileiros.
outubro 10th, 2008 às 14:03
A princípio, achei que só mesmo a inveja levaria alguém a classificar de “patético” um dos mais belos cabelos da américa latina.
Mas, depois fui pesquisar e descobri que há algo mais. E a resposta está na caixa de comentários destes rabiscos que escrevi em 18/01/2007.
Quem quiser saber o real motivo, favor ler a referida caixa de comentários de lá. Leiam o que diz Marconi sobre cabelos e entendam a revolta do rapaz.
http://ingresia.opensadorselvagem.org/debaixo-dos-caracois/
P.S Mais a propósito ainda, ouçam esta canção de Osvaldo Nunes
http://www.youtube.com/watch?v=yMeFOxoy3b4
Marconi Leal Reply:
outubro 11th, 2008 at 1:26
Francielle, se você continuar falando muito, chamo a filha de Gordurinha pra meter um processo em você.
outubro 10th, 2008 às 14:29
E neste iglu, Milton, uma foca manca se aproxima a perguntar: “É aqui o museu do bicho Homem?”.
Marconi Leal Reply:
outubro 11th, 2008 at 1:30
As focas são assim, Ramiro, delicadas. Só depois que viram jornalistas é que ficam arrogantes e passam a mentir.
outubro 10th, 2008 às 14:40
Ramiro, o Marconi não presta pra museu não. Quando muito, um açougue. E vagabundo, desses cheios de moscas.
Milton, “ínclito” é a sua! Daqui a pouco me chama de mesóclito.
Marconi, já te disse que tenho pena da tua mulher, não disse?
Marconi Leal Reply:
outubro 11th, 2008 at 1:33
Mesóclito, nossas mulheres têm muito a reclamar de nós dois. A diferença é que eu escuto as reclamações da minha.
outubro 10th, 2008 às 14:47
e Patricia responde:”Não. É o zoológico mesmo. Estamos a sacrificar duas espécies desenganadas. Uma vice-americana e um sub-escritor pernambucano. Mutação, sabe?
Imagina se cruzam?
Marconi Leal Reply:
outubro 11th, 2008 at 1:51
Gugala, o cruzamento seria impossível por dois motivos. No frio do Alasca, o pinto se esconde. E americano não é muito bom nisso de encontrar membros dentro de cavernas.
outubro 10th, 2008 às 15:55
É Gugala, dá um baita cabrito chamado “Osama bin Laden Jr”, procurado nas montanhas adjacentes do Paquistão; porém, vivinho da silva aqui, ou ali, em São Paulo, escrevendo e dinamitando ao lado do viaduto-do-chá, isto é, balindo, com todas as focinheiras que nunca foram de Alá, um diabólico: “ Quá-Quá-Quá!”.
Marconi Leal Reply:
outubro 11th, 2008 at 1:55
Ramiro, não moro ao lado do Viaduto do Chá. A região não é boa. Preferimos embaixo, porque protege da chuva.
outubro 10th, 2008 às 16:16
Querido Branco, o Marconi é carne magra! De tanto virar: marconi-nicomar-marconi-nicomar… Olha aí gente… o Tom Carneiro com o cacete aveludado chegando…
Marconi Leal Reply:
outubro 11th, 2008 at 2:05
Bondade sua usar o adjetivo “magra” para se referir a minhas carnes, Ramiro. Quanto a “aveludado”, nada posseo afirmar, pois só alguém que já apalpou bem o substantivo poderia descrever sua textura.
outubro 10th, 2008 às 17:25
AO ESCRITOR
by Ramiro Conceição
Se o cavalo
fosse a Terra,
e a Dama
sobre ele,
uma Estrela,
então,
sem dúvida,
estaríamos
num sonho
da Passárgada!
Marconi Leal Reply:
outubro 11th, 2008 at 3:49
Ramiro, se o cavalo fosse a Terra e a dama sobre ele uma estrela, nós estaríamos calcinados.
outubro 10th, 2008 às 20:54
Não bastasse plagiar fausto wolff, você agora é censor, é??
Marconi Leal Reply:
outubro 11th, 2008 at 3:19
Francielle, não se desespere. São os hormônios. Vindo o período, os sintomas passam.
outubro 10th, 2008 às 20:54
Êita, Fran, num é qui mi inganei?
Isso aqui é saite de filósofo…
Marconi Leal Reply:
outubro 11th, 2008 at 3:22
Mas são filósofos da USP, Desconstruindo. De maneira que nos mantemos no tópico das baratas.
outubro 10th, 2008 às 21:14
FILOSOFIA
by Ramiro Conceição
É, Fran,
não há perguntas idiotas,
mas, sim, respostas idiotas!
Marconi Leal Reply:
outubro 11th, 2008 at 3:32
Quanto a mim, tenho feito o melhor possível para confirmar o fato.
outubro 10th, 2008 às 21:30
Ramiro, cocê me inspirou-me:
TEMPESTADES
by Desconstruindo Francielly
from Ramiro Conceição
Há seres, como eu
que são
ignorantes, como eu
a lavar os
ladrilhos
das Cidades, como eu.
Marconi Leal Reply:
outubro 11th, 2008 at 3:44
Desconstruindo, parabéns. Belo poema sobre o auto-erotismo.
Lontra Reply:
outubro 11th, 2008 at 15:20
Ou autofagia…