UM JULGAMENTO LENDÁRIO
PROMOTOR: Matou o pai e manteve intercurso sexual com a mãe, excelência.
ADVOGADO: Protesto. Meu cliente é um personagem mitológico, excelência. O caso dele deve ser levado às Erínias e não a um tribunal comum.
PROMOTOR: Personagem mitológico o Maluf também é, meu filho, e nem por isso…
CORO: Ó Édipo, qual será teu futuro? Ó Édipo, homem assinalado pelos deuses! Ó Édipo, que será de ti?
JUIZ: Peço que a acusação observe o linguajar no tribunal. Nada de palavrões.
PROMOTOR: Perdão, excelência. Prossigamos. O réu, para cúmulo da afronta, teve um filho com a própria mãe. Se vira moda, como é que a gente vai conseguir distinguir e nomear nossos parentes de agora em diante? Um filho que ao mesmo tempo é neto! Tem gente que já faz confusão com genro e nora, excelência!
CORO: Ó Édipo, que destino cruel! Ó Édipo, que deus zangado levou-te a fornicar com a própria mãe?
ADVOGADO: Lembro, excelência, dos grandes serviços prestados à cidade pelo meu cliente quando esta se encontrava aterrorizada pela Esfinge.
PROMOTOR: Cá pra nós, excelência, a Esfinge, com aqueles segredos ridículos dela? Ora, todo mundo sabe o que é que pela manhã tem quatro pés, à tarde dois e à noite três.
JUIZ: Eu, não. E olha que adoro adivinhas.
ADVOGADO: É o homem, excelência.
JUIZ: Ahn…
ADVOGADO: Queria ver era o Édipo dizer o que é que cai em pé e corre deitado, isso sim. Além do mais, a Esfinge era mulher. Não conseguiria segurar o segredo por muito tempo.
CORO: Ó Édipo, o fado não leva ao menos teus trabalhos em conta! As Moiras já abrem as tenazes para cortar o fio da tua vida, ó Édipo!
JUIZ: Seja mais claro. O que você quer dizer com isso?
PROMOTOR: Quero dizer que as mulheres…
JUIZ: Danem-se as mulheres. Agora você me deixou curioso. Quero saber é o que é que cai em pé e corre deitado.
ADVOGADO: Meu cliente pede para comunicar ao tribunal que é a chuva, excelência.
JUIZ: A chuva! Isso mesmo. Esse menino é bom.
PROMOTOR: Tudo bem, excelência. Quero ver agora ele adivinhar o que é que tem escama e não é peixe, coroa e não é rei.
CORO: Ó Édipo, põem-te à prova como um reles criminoso! Ó Édipo, querem…
JUIZ: Silêncio no tribunal! Por favor, alguém pode tirar o coro dali? Meu Zeus do céu, ninguém agüenta mais essa ladainha!
CORO: Ó nobre mantenedor das leis, então é assim que reages? Ó homem ímpio, calar-te-ás a respeito do incesto que cometes com a tua própria irm…
JUIZ: Pssss! Levem o coro para fora, agora!
CORO: Nada falarás sobre teu caso extraconj…
JUIZ: Fora! Ótimo. Podem prosseguir.
ADVOGADO: Meu cliente diz que a pergunta é capciosa. Os gregos ainda não conhecem a fruta em questão, excelência, pois que é originária de regiões para além do Oceano, desconhecidas dos povos antigos. No entanto, afirma que a resposta é: abacaxi.
JUIZ: Uh, uh! Muito bom. O garoto é um gênio.
PROMOTOR: Tem muitos dentes e não consegue morder?
ADVOGADO: Meu cliente diz que é o alho, excelência.
JUIZ: Muito bem!
PROMOTOR: Quanto mais se perde, mais se tem?
ADVOGADO: Sono.
PROMOTOR: Quanto mais se tira, maior fica.
ADVOGADO: Buraco.
JUIZ: Grande! Olha, sr. Édipo, estou inclinado a aliviar sua pena. Uma inteligência como a sua… O senhor não é um beócio qualquer!
PROMOTOR: Calma, excelência. Por favor, só mais uma. Uma só, excelência! O que é que se parte e se reparte e fica sempre do mesmo tamanho?
ADVOGADO: Uhm… Meu cliente diz que é amor de esposa, excelência.
PROMOTOR: Ha, ha, ha. Errou, excelência! É amor de mãe!
JUIZ: Ah!… Que pena, sr. Édipo! Nesse caso, infelizmente, terei que condená-lo ao desterro. Guardas! Levem-no. Até lá, aviso: não tiraremos os olhos do senhor.

novembro 5th, 2007 às 2:37
heheheheh!
Pobre Edipo…
Agora, que juís, hein? não deixa nada a dever a alguns deste mundo não vulgar.
sorte e saúde pra todos!
novembro 6th, 2007 às 0:05
Nota 10, novamente.
É por essa e por tantas outras que mantenho o blog devidamente linkado, que é pra não perder o rumo.
Beijo,
Luciana